
O fado sempre soube cantar quem vivia fora do compasso. Agora canta-o com nome próprio.
Numa sala escura de Alfama, o silêncio faz-se antes da primeira guitarra. É um ritual centenário — mas a voz que se levanta é de uma geração nova, que canta o fado sem trocar pronomes nem esconder amores.
A história do fado sempre foi mais queer do que os manuais contam: das casas de fadistas marginais às figuras que desafiaram os costumes, a canção de Lisboa fez-se de vidas fora da norma. «O fado sempre soube cantar quem vivia fora do compasso. Agora canta-o com nome próprio», resume um fadista que entrevistámos entre ensaios.
Do fado ao pop, do hip-hop à eletrónica, o mapa musical português tem hoje vozes LGBTQIA+ assumidas em todos os géneros — e públicos que as seguem por todo o país.
No fim do artigo, deixamos uma playlist e!Gay com vinte temas para conhecer estas vozes. Aumentem o volume.