
A lei não casou ninguém. Casaram as pessoas que deixaram de ter de pedir licença para amar.
Foi em junho de 2010 que Portugal se tornou o oitavo país do mundo a aprovar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Dezassete anos depois, os números falam por si: milhares de casamentos celebrados, famílias constituídas e uma geração que cresce a saber que o amor tem o mesmo nome perante a lei.
Nas conservatórias do país, o gesto é hoje rotineiro. «A lei não casou ninguém. Casaram as pessoas que deixaram de ter de pedir licença para amar», diz-nos uma conservadora que já celebrou centenas de casamentos LGBTQIA+ desde que a lei entrou em vigor.
Mas o caminho não foi linear. A aprovação da lei da adoção por casais do mesmo sexo, em 2015, e o reconhecimento da co-maternidade e co-paternidade vieram completar um quadro que ainda hoje se afina — nomeadamente no reconhecimento automático da filiação em casos de reprodução medicamente assistida.
Para quem casou nos primeiros anos, o balanço é de orgulho e de memória. «Casámos no dia em que a lei entrou em vigor e ainda hoje há quem nos pergunte se foi coragem. Não foi coragem: foi o que nos apetecia», conta um casal do Porto que este ano celebra bodas de prata simbólicas. A e!Gay continua a contar esta história — porque ainda há capítulos por escrever.