
Família é quem fica. O resto é genealogia.
Num terraço do Porto, ao fim da tarde, seis amigos jantam como quem celebra um aniversário — mas não há aniversariante. Há apenas o ritual semanal de quem escolheu ser família uns dos outros. «Família é quem fica. O resto é genealogia», ri-se uma delas, enquanto serve o vinho.
A expressão «família escolhida» nasceu nas comunidades queer para nomear aquilo que tantas pessoas LGBTQIA+ conhecem bem: quando a casa de origem falha — ou simplesmente não chega —, constroem-se redes de afeto que fazem de teto, de colo e de mesa posta.
Falámos com três destas famílias, de Lisboa, do Porto e de Faro. As histórias cruzam-se nos detalhes: quem acompanha às consultas, quem guarda a chave, quem liga no dia difícil do ano.
É para estas histórias que a secção Comunidade existe. Se têm uma família escolhida, contem-nos como se encontraram — as melhores cartas serão publicadas na próxima edição.