O renascimento do ballroom em Lisboa

Artista drag a preparar-se ao espelho nos bastidores de um teatro em Lisboa
Artista drag a preparar-se ao espelho nos bastidores de um teatro em Lisboa
Artista drag a preparar-se ao espelho nos bastidores de um teatro em Lisboa

Aqui ninguém pergunta de onde vens. Perguntam-te em que categoria queres brilhar.

As luzes do camarim aquecem, a música sobe e o espelho devolve uma personagem em construção. É assim, entre lantejoulas e pó de arroz, que começam as noites de ballroom em Lisboa — uma cena que cresceu nos últimos anos de um punhado de iniciados para uma comunidade com casas, bolas regulares e nomes próprios.

A cultura ballroom nasceu nos anos 70 e 80 em Harlem, criada por pessoas negras e latinas, queer e trans, que a sociedade empurrou para as margens. Em Lisboa, encontrou eco numa cidade feita de encontros: «Aqui ninguém pergunta de onde vens. Perguntam-te em que categoria queres brilhar», conta-nos uma das mães de casa da cena lisboeta.

Entre o voguing, as categorias de runway e os lip syncs, o ballroom é competição e celebração, mas é sobretudo estrutura de cuidado: as casas funcionam como famílias escolhidas, com mentoria, apoio e teto quando ele falta.

As próximas bolas já estão marcadas e as portas estão abertas a quem quiser assistir. A e!Gay deixa o conselho de quem sabe: cheguem cedo, porque o melhor lugar é junto à pista.

Etiquetas: Ballroom, Drag, Voguing